Paralisia cerebral

A paralisia cerebral, também designada por doença motora (DMC), designa várias deficiências motoras secundárias a uma lesão cerebral sofrida durante a gravidez, durante o parto ou durante a primeira infância. Estes transtornos do movimento são, frequentemente, acompanhados de dificuldades cognitivas, de um atraso mental e de dores que prejudicam gravemente a qualidade de vida e a autonomia do doente. Com a Ipsen, você poderá obter mais informações sobre esta doença, o seu diagnóstico e os diferentes tratamentos.

Definição

A noção de paralisia cerebral engloba diferentes “transtornos permanentes do desenvolvimento do movimento e da postura, responsáveis por limitações da atividade, causados por problemas não progressivos sofridos durante o desenvolvimento do cérebro no feto ou no bebê, ao nível do neurônio motor superior. Os transtornos motores da paralisia cerebral são frequentemente acompanhados de distúrbios sensoriais, perceptivos, cognitivos, da comunicação e do comportamento, de epilepsia e de problemas músculo-esqueléticos secundários.” 1

O termo paralisia cerebral é utilizado internacionalmente para qualificar os sintomas secundários a uma lesão cerebral não evolutiva. Na França, são mais comuns os termos doença motora cerebral (DMC) ou doença motora de origem cerebral (DMOC).

 

Sintomas e consequências para a saúde

A paralisia cerebral manifesta-se com diferentes sintomas em cada doente, podendo afetar em combinação várias áreas: motoras, sensoriais e intelectuais. Os sintomas geralmente observados a partir dos seis meses de idade são os seguintes:

  • espasticidade (rigidez excessiva dos músculos devido ao aumento involuntário do tônus) que, quando afeta as pernas, induz uma posição semi-fletida, um andar tipo tesoura com os pés em extensão sobre a ponta e falta de equilíbrio. A espasticidade é, frequentemente, acompanhada de dores;
  • posições incomuns  das pernas (posição sentada em W) e utilização preferencial de um dos lados do corpo;
  • hipotonia (posicionamento deficiente da cabeça e dificuldade em manter a posição sentada);
  • capacidades manuais diminuídas (dificuldade para comer, vestir-se,  escrever e  pegar objetos);
  • dificuldades para engolir e falar (apraxias);
  • estrabismo convergente (a criança vesga);
  • hipotonia, crescimento lento ou assimétrico;
  • hipersensibilidade ao barulho ou, pelo contrário, capacidade auditiva diminuída;
  • fadiga excessiva;
  • imaturidade emocional e reações excessivas a diferentes situações;
  • um certo grau de deficiência mental em determinados doentes.

Se a lesão cerebral que está na origem destes sintomas for não evolutiva, o crescimento da criança e a presença de espasticidade podem conduzir a outros sintomas ao longo do tempo:

  • deformações ósseas (frequentemente ao nível ortopédico);
  • problemas articulares, devido às retraçõesmiotendíneas;
  • instalação de posturas incorretas (a espasticidade dos adutores implica risco elevado de desvio do quadril).

 

Etiologias da paralisia cerebral

Se as causas mais comuns são uma anoxia-isquemia (diminuição ou interrupção do fornecimento de sangue em determinadas partes do cérebro, provocando uma deficiência de oxigênio) ou uma hemorragia cerebral, vários outros fatores podem ser responsáveis por estas lesões, quer antes do nascimento, durante o nascimento ou em crianças menores de dois anos:

  • Antes do nascimento, as células do cérebro do feto podem ser destruídas por um acidente vascular cerebral, uma  má formação do sistema nervoso central ou uma anomalia da placenta e do cordão. Uma intoxicação da mãe devido a certos medicamentos ou drogas ou uma infecção por um vírus como o da rubéola, a toxoplasmose ou o citomegalovírus também podem ser responsáveis por lesões cerebrais irreversíveis no feto. No entanto, no caso de uma paralisia cerebral pré-natal, a lesão é produzida, frequentemente, durante os primeiros meses da gravidez e a causa é, muitas vezes, desconhecida. Um peso muito reduzido ao nascer e a prematuridade também representam um maior risco de paralisia cerebral, com uma prevalência de cerca de 8%.
  • Em um nascimento no tempo esperado, um parto difícil, a posição incorreta do cordão umbilical pode cortar o fornecimento de sangue ao cérebro e provocar uma anóxia e então, uma paralisia cerebral.
  • Após o nascimento, a ocorrência de fortes convulsões, um acidente, uma parada cardíaca ou uma infecção (como uma meningite ou uma encefalite) constituem circunstâncias que favorecem uma paralisia cerebral.

 

Incidência

A paralisia cerebral afeta, em média: 2 a 2,5 casos por 1000 recém-nascidos vivos nos países industrializados e 1,5 a 5,6 casos por 1000 recém-nascidos vivos nos países em desenvolvimento.2

2 a 2,5

Casos por 1000 recém-nascidos nos países industrializados

Problemas motores, sensoriais e intelectuais

3-18

Meses de idade. Diagnóstico geralmente

Fontes :

1. Rosenbaum P, Paneth N, Leviton A, Goldstein M, Bax M, Damiano D, Dan B, Jacobsson B. The Definition and Classification of Cerebral Palsy. Dev Med Child Neurol 2007; 49: 1-44, doi: 10.1111/j.1469-8749.2007.00001.x.]
2. Stanley F, Blair E, Alberman E. Cerebal Palsies: Epidemiology and Causal Pathways. MacKeith Press; 2010.

Última atualização 06/10/2017